Luta diária

Dizem que preciso ser submissa, não importa o que eu disser, nem o que quero vestir, sou tratada como objeto desde que nasci. Dizem que preciso me comportar para obter respeito, que preciso esconder minhas vontades e meu jeito. Falam de mim como se eu fosse propriedade do meu namorado, mas para um casal é preciso marcar território ou o importante é ser amado? Não posso ter vontades, desejos, tenho que seguir regras ou o que resta é o despejo, seja de casa ou do amor que deveria existir.

Eu sou contrária a cada uma dessas coisas, posso ver a hipocrisia em cada atitude, repetidas a cada dia. Eu sou mulher, não objeto que precisa de posse, sou dona de mim e sei ser forte. Mas pensar assim tem um preço caro… Eu deveria mesmo ter que escolher entre fingir ser quem não sou para ser “amada” e “respeitada” ou fazer o que quero e ser apedrejada? Afinal, recebo palavras duras, como pedras, mas as carrego comigo para ficar ainda mais forte pelo meu caminho. Ser mulher não é fácil, e mesmo que pense em continuar sendo o “objeto intocado, inocente e digno de respeito”, seguindo as regras e abdicando todos os meus desejos, seria mais fácil desse jeito? Não, esconder quem sou tem seu peso, prefiro permanecer lutando pelos meus direitos.

Eu nem deveria fazer esse pequeno texto, afinal, não somos todos seres humanos? Deveríamos ser tratados igualmente, não separados com base em preconceitos.  Parece algo simples, mas na hipocrisia de uma sociedade em que a maioria se diz cristã, é mais fácil criar rancor do que amor, é mais fácil julgar e aos poucos matar cada mulher que morre pelo machismo, seja com uma facada no peito ou por lutarem pelos seus direitos, seja espancada, estuprada, ou sendo condenada a fingir ser quem não é para ser “amada”.

Será mesmo que o feminismo não serve pra nada? Ou toda mulher merece ser violada? Nenhuma de nós merece ser tradada como objeto, nem todas sonhamos em estar casadas, nem todas querem ter filhos, e pelo menos eu, já não aguento mais ver a imagem da mulher sendo tão sexualizada, nem o número de mulheres que por dia são agredidas, mortas e estupradas. Ser mulher é uma luta diária, e muitas vezes essa luta começa em casa.

Sophia Oliveira.

2 comentários em “Luta diária

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