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Dúvida

De repente, eu não sei mais o que é amar. Sempre soube que o amor é egoísta, mas por querer tirar sorrisos de alguém para satisfazer a si ou por querer ter alguém, mesmo fazendo coisas que vão machucar? Sinto como se todas as minhas verdades virassem pó, sinto-me sem chão e meus pensamentos parecem ter dado um nó. O amor não era pra ser bom? Se não é, o que é então?

A dúvida permanece e cada vez mais sinto que minha alma de medo estremece. Eu amei errado ou o amor que não foi correto? O que é a verdade quando amar mostra ter dois lados e não sabemos qual é o certo? Estou sangrando por dar demais de mim por esse sentimento, enquanto o amor sente esse peso ao caminhar e me deixa de lado, mente pra não me machucar dizendo que faz o mesmo e que nunca faria algo que me fizesse desmoronar.

Só não se pode esquecer que nada se esconde da vida, nem mesmo as melhores mentiras e quando esse teatro acaba não há sentimento que prevaleça que não seja a decepção e a mágoa, a culpa e a raiva. Amar também mata, envenena a alma e nenhum remédio consegue tornar essa dor mais suportável. Quando as máscaras caem tudo faz querer ir embora, mas tudo também faz querer um abraço seu sem demora. É um desamparo amparado pela imagem da dor que te devora e ao mesmo tempo te acolhe quando seu olhar chora.

O que fazer quando tudo começa a desmoronar? Eu não quero esquecer, e mesmo quando quero, é impossível deixar de lembrar. Mas será que consigo viver sem a dor que persiste em ficar? É nesse momento que o amor entende que nada dói mais do que ser o motivo da dor que apaga o brilho do olhar de quem se jurou amar.

Simplesmente não existem respostas e, talvez, isso seja amar. Se atrever a uma entrega que pode levar ao paraíso ou fazer cair de um enorme precipício. Talvez amar seja um eterno aprendizado, talvez seja um eterno machucado. É uma certa incerteza pela qual vale a pena se entregar, mesmo sabendo que para chegar ao paraíso exista a possibilidade de cair em alguns precipícios e, só então perceber que somos nós quem ouvimos nosso próprio clamor e só nós podemos nos tirar dessa dor.

Talvez isso seja amar. O que sei e posso afirmar é que só nós podemos curar as feridas causadas por esse sentimento durante a vida. Retornamos das cinzas por termos sempre uma casa a ser mantida e reconstruída, pois nossa mente é o único lar que podemos nos encontrar. Isso pode não ser a definição que tantos procuram, mas amar-se é o único caminho que pode nos salvar.

Sophia Oliveira. 

Palavras que clamam igualdade

Sigo numa luta diária
Para conseguir ser respeitada
Nessa sociedade deturpada
Onde a culpa do estupro é de quem foi estuprada
Não podemos escolher nossas roupas
Nem a hora de voltar pra casa
Sem correr o risco de sermos violadas

Desde pequenas somos manipuladas
A acreditar que somos insufientes
E que embora a dor esteja presente
Devemos sorrir sempre
Para agradar os homens e seus egos crescentes
Que não sabem respeitar o que as mulheres sentem

Vejo esteriótipos por todos os lados
E eles moldam até nossos traços
Com maquiagens, plásticas e recados
Com cor, peso e corpo estipulados
Como se fôssemos um objeto de mercado
Em que o homem é que precisa ser agradado

Por que toda vez que levanto minha voz diminuem o que eu digo?
Sempre tentam omitir o que por mim é dito
Como se quisessem esconder o prejuízo
Causado por toda sociedade que reproduz o machismo
Reduzindo questões de igualdade à vitimismo

É querer demais só querer paz?
Não somos objetos para agradar os homens
Somos independentes e não aceitaremos mais mortes de inocentes
Por conta do machismo que nos afeta mesmo indiretamente

Mulheres inspiradoras sussurraram no meu ouvido
E a inspiração chegou a mim como um tiro
É por isso que tenho a certeza que não estou sozinha nisso
Juntas lutaremos para que todas nós tenhamos voz
E se desfaçam os nós que prendem o que nunca foi dito
Quebrem o silêncio que clama justiça como um grito.

Sophia Oliveira

Luta diária

Dizem que preciso ser submissa, não importa o que eu disser, nem o que quero vestir, sou tratada como objeto desde que nasci. Dizem que preciso me comportar para obter respeito, que preciso esconder minhas vontades e meu jeito. Falam de mim como se eu fosse propriedade do meu namorado, mas para um casal é preciso marcar território ou o importante é ser amado? Não posso ter vontades, desejos, tenho que seguir regras ou o que resta é o despejo, seja de casa ou do amor que deveria existir.

Eu sou contrária a cada uma dessas coisas, posso ver a hipocrisia em cada atitude, repetidas a cada dia. Eu sou mulher, não objeto que precisa de posse, sou dona de mim e sei ser forte. Mas pensar assim tem um preço caro… Eu deveria mesmo ter que escolher entre fingir ser quem não sou para ser “amada” e “respeitada” ou fazer o que quero e ser apedrejada? Afinal, recebo palavras duras, como pedras, mas as carrego comigo para ficar ainda mais forte pelo meu caminho. Ser mulher não é fácil, e mesmo que pense em continuar sendo o “objeto intocado, inocente e digno de respeito”, seguindo as regras e abdicando todos os meus desejos, seria mais fácil desse jeito? Não, esconder quem sou tem seu peso, prefiro permanecer lutando pelos meus direitos.

Eu nem deveria fazer esse pequeno texto, afinal, não somos todos seres humanos? Deveríamos ser tratados igualmente, não separados com base em preconceitos.  Parece algo simples, mas na hipocrisia de uma sociedade em que a maioria se diz cristã, é mais fácil criar rancor do que amor, é mais fácil julgar e aos poucos matar cada mulher que morre pelo machismo, seja com uma facada no peito ou por lutarem pelos seus direitos, seja espancada, estuprada, ou sendo condenada a fingir ser quem não é para ser “amada”.

Será mesmo que o feminismo não serve pra nada? Ou toda mulher merece ser violada? Nenhuma de nós merece ser tradada como objeto, nem todas sonhamos em estar casadas, nem todas querem ter filhos, e pelo menos eu, já não aguento mais ver a imagem da mulher sendo tão sexualizada, nem o número de mulheres que por dia são agredidas, mortas e estupradas. Ser mulher é uma luta diária, e muitas vezes essa luta começa em casa.

Sophia Oliveira.

Para Pamella

Perder alguém… Eu já sabia que tinha dificuldade pra lidar com sentimentos de perda, mas jamais tinha perdido alguém tão próximo para a morte. Eu ainda espero mensagens, ainda penso em te chamar, mas sei que você já não pode mais me responder. Quando eu mais me senti sozinha, você apareceu, enquanto eu tava me distanciando de tudo e todos, você quis se aproximar e eu te agradecia tanto por ser minha amiga. Bendita Aurora, foi ela o nosso primeiro assunto, e foi assim que passamos toda tarde conversando. Mas agora só consigo sentir saudade escutando…
Depressão não é brincadeira, não é besteira, não é drama. Eu sei que ela só quis encontrar paz, mas não cabe tanta saudade no meu coração e é por isso que choro, que não consigo dormir direito, que já acordo pensando que hoje vai ser mais um dia sem ter minha amiga comigo. Sempre vou sentir falta do carinho, do aconchego que sentia nessa amizade…

Dói escrever 
Sabendo que você não vai ler 
Mas colocar em palavras é a melhor forma 
De mostrar o carinho e amor que tenho por você

Minha amiga
Espero que tenha encontrado paz
Que saiba a falta que já faz 
E que o lugar que você ocupa
Não vai ser substituído jamais


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Te amo pra sempre, minha amiga…


Sophia Oliveira.

Desolação

Meus olhos mal se abrem
e as lágrimas escorrem

Perdida eu caminho sem rumo
esperando que as lágrimas se esgotem

Sinto pontadas no peito, no corpo inteiro
Só a ponta da navalha alivia, só ela é minha amiga

Perdi subitamente quem eu menos esperava
quem eu mais tinha certeza que não me largaria por nada

Eu não sei o que fazer além de chorar
nem controlar meus pensamentos que desejam me matar.

Sophia Oliveira.

O peso de viver

É possível permanecer aqui
mesmo sem estar?
Estou perdida no oceano
e continuo respirando
querendo me encontrar

Estou procurando algo no mar
talvez para animar a vida
ou simplesmente algo que alivia
o cansaço de me manter viva

Nadar contra a maré me deixa cansada
É como permanecer parada
e faço isso todos os dias
sem perceber que não serve pra nada.

Sophia Oliveira.

Um outro olhar

Depois de tantas palavras jogadas no lixo
Meu cansaço é inevitável, mas a dor, suportável
Caso contrário, eu já teria morrido
E nem ao menos teria essas palavras, apenas um último suspiro

Enquanto eu chorava, por um instante pude perceber
Faltava-me força
Enquanto o sangue escorria, percebi que eu estava me entregando para morrer
Abrindo mais ainda feridas que me faziam sofrer

Eu aprendi com a dor
Mas é assim que se aprende a viver
A vida é um aprendizado contínuo
E disso nunca se pode esquecer.

Sophia Oliveira.

Devolva-me meu chão

Continuo seguindo a rotina do meu cotidiano
Como um robô respondendo comandos
Agora não sinto tristeza nem felicidade
Apenas um vazio sem limite de profundidade

O que eu deveria fazer para ter controle de mim?
Querer parece não ser suficiente para não ficar assim
Eu só queria uma vez na vida ser completa sozinha
Então, por favor, devolva-me meu chão
Quero ser completamente minha

Sei que não foi sua intenção
Mas desde que você saiu da minha vida
Abriu lugar para um grande furacão
E eu não sei como arrumar tudo pois ainda estou em suas mãos

Nunca achei que tentar seguir em frente fosse tão difícil
Nem que um dia eu seria meu próprio precipício.

Sophia Oliveira

Desilusão

Tenho costume de me importar demais
E acabei vivendo uma amizade que não existia
Afinal, somente eu a via como minha amiga
E como se isso não bastasse, descobri da forma mais fria

Pensei, por muito tempo, que o problema era comigo
Senti-me sozinha e desamparada
E acabei, por fim, abandonada

Mas percebi que o único problema
Foi que não signifiquei nada

Fui apenas usada.

Sophia Oliveira